sábado, 5 de setembro de 2015

Uma criança a contemplar o céu noturno


Por: Pr. Levi Costa

Eu sempre fui fascinado por um céu de lua cheia com suas estrelas cintilando no negrume da noite. Fico estasiado com tamanha beleza e grandeza celeste, já desde a minha infância. Porém, lá longe, muito longe, há um UNIVERSO com bilhões de outras estrelas (nosso sol é apenas mais uma delas, uma estrela de 5ª grandeza), um Universo com bilhões de outras galáxias além da nossa via láctea, aliás, hoje já se fala em multiverso em vez de apenas um Universo. 

Na minha adolescência, eu encontrei parte de um binóculos quebrado, mas com duas das lentes intactas, a da frente e a outra menor, a da parte de trás. Tive uma brilhante ideia, farei uma luneta para mim, pensei. Fui logo providenciando um recipiente plástico de shampoo, cortei a parte da frente e a parte de trás, coloquei as lentes, mas ficou sem foco, tipo míope, é como eu vejo hoje sem meus óculos, cortei um pouco mais o vidro até chegar no foco ideal, pronto! tenho a minha luneta! exclamei todo contente. 

Na primeira noite, de posse do meu maravilhoso invento, lá estava eu a observar "com outros olhos" muito mais do céu noturno, fiquei boquiaberto com tamanha beleza das estrelas que em muito se multiplicara por causa daquelas lentes (que o diga Galileu). A partir daí, o meu gosto pela astronomia se aguçou e muito. Não muito tempo depois, lá estou eu, agora comprando um livro que tratava do assunto das galáxias com suas estrelas e planetas na vastidão cósmica. 

À media em que eu lia meu livro de astronomia para principiantes, com suas várias ilustrações, eu me apequenava ao distanciar-me em minha imaginação diante de tamanha grandeza. Com o mapa mundi na mente (eu gosto de geografia também), eu me via saindo da minha pequena cidade onde eu morava; me via saindo do Estado (Maranhão); depois eu saia do País; por fim, eu estava fora do próprio planeta Terra, a contemplar o sistema solar como nas ilustrações do meu livro.

Hoje, com o advento da internet, vivo a passear pelo cosmos via YouTube, que beleza! de simples ilustrações em livro, para sofisticadas animações, e com imagens reais captadas pelo telescópio Hubble. Ainda continuo a mesma criança de sempre a contemplar os céus, muito além do que a minha pequena luneta pode me mostrar. Mesmo com tudo que o homem já pode conhecer pela astronomia, isso não é nada, como disse Jó: "Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos!..." (Jó 26.14a). 

No meu passeio pelo cosmos (em minha imaginação e pelo YouTube), ao me distanciar da Terra, do Sistema Solar e da Via-Láctea, eu pergunto: o que resta de nós tão longe assim do longínquo e pequenino planeta Terra, a bilhões de anos luz de distância? Como sabemos, o ano luz é a medida astronômica das distâncias cósmicas, é a velocidade que a luz percorre em um ano a 300 mil km por segundo. 

À essa altura e distância de tudo e de todos, nas fronteiras do Universo conhecido, volto a perguntar para mim mesmo: onde estão agora as nossas diferenças e preferências pessoais? Onde ficam os nossos gostos e desgostos nesse momento? Onde ficam a nossa política e a nossa religião? Isso tudo diz respeito ao nosso mundinho particular nesse pequenino planeta dos homens, a Terra. São as coisas que criamos para a satisfação do nosso ego.

Em vez de desfrutarmos das belezas e riquezas da exuberante natureza do nosso planeta, passamos boa parte da vida marcando territórios de todas as ordens, e ordenando que ninguém ultrapasse os nosso limites territoriais pessoais, no que diz respeito às preferências e gostos por nós estabelecidos que, quase sempre, entram em choque com as preferências e gostos dos outros; os outros que na essência são iguais a nós, pois todos nós somos o outro.

Eis a razão porque criamos exércitos com suas armas de destruição em massa que ameaçam e intimidam aqueles que ainda não possuem estas mesmas armas. Quanto àqueles que já estão de posse desse mesmo poder bélico, ficam eles se encarando com um dedo sobre o botão detonador vermelho, preste a acioná-lo ao minimo sinal de ameça do outro.

Caso os botões detonadores sejam acionados mutuamente, só restará escombros de uma civilização que tinha tudo à mão, mas com essa mesma mão colocou tudo a perder. Se assim acontecer, onde ficarão as questões que levaram a tamanho desastre? Nessa história do absurdo humano, onde ficarão as questões de natureza politica, religiosa e de outra natureza? Moldadas pelos gostos e preferências de seus idealizadores? 

Do que adiantará todo o sucesso dos inventos, das descobertas e das conquistas que enriqueceram a história humana, se no final prevalecer as ogivas que ironicamente foram idealizadas no sentido de proteção das nações que as detém, mas que agora são a causa da destruição e extinção dessas mesmas nações e daqueles que não fizeram parte em nada daquilo que levou a isso tudo? Fica a questão para se pensar.

O vídeo abaixo ilustra o texto acima, assista: