sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A oração e a palavra, ingredientes indispensáveis para a vida do obreiro

Por Pr. Levi Costa

"Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra." (Atos 6:4)

A oração na vida do obreiro 

Ao iniciar seu ministério, após o batismo no rio Jordão, o Senhor Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto e ali esteve por quarenta dias e quarenta noites em jejum e oração (Lc 4.1,2). Nas palavras do apóstolo Paulo, isso é o mesmo que “fortalecer-se no Senhor e na força do seu poder. Revestindo-se de toda a armadura de Deus para poder estar firme contra as astutas ciladas do diabo” (Ef 6.10,11).

A oração é o combustível espiritual que nos impulsiona a caminhar; devemos sempre nos abastecer da força e do poder de Deus através da oração (Ef 6.18a). Nenhuma igreja poderá crescer e produzir fruto para a vida eterna senão cheia do Espírito e dirigida por Ele (Ef 5.18; Rm 8.14). O Espírito Santo nos guia em toda a verdade e nos revela os insondáveis mistérios de Deus (Jo 16.13; 1 Co 2.9-11).

A oração nos proporciona porta aberta à palavra para falarmos dos mistérios de Jesus Cristo como nos convém falar (Cl 4.2-4). Era costume o apóstolo Paulo pedir oração às igrejas, pois ele sabia perfeitamente a eficácia da oração no tocante a pregação da palavra. (Ef 6.18,19; 2 Ts 3.1). Paulo não somente pedia que os irmãos orassem por ele, mas ele mesmo orava constante e fervorosamente no mesmo sentido (Ef 3.14-16). 

Diante das ameaças e perseguições os irmãos da igreja primitiva oravam incessantemente ao Senhor pedindo ousadia para falar a palavra, e todos ficavam cheios do Espírito Santo, e passavam a anunciar a palavra de Deus com toda a ousadia (At 4.29-31). 

Momentos antes de ascender aos céus, Jesus fala aos seus discípulos dizendo: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas...” (At 1.8a-RA). Jesus apareceu a mais de quinhentos irmãos após ressuscitar (1 Co 15.6), mas somente cerca de cento e vinte permaneceram no cenáculo em oração obedecendo à ordem do mestre (At 1.13-15), a maioria dos irmãos perdeu a bênção por negligenciar a oração. 

A palavra que transforma vidas é aquela que é transmitida do coração de Deus para o coração do homem, muitas vezes faltam homens de Deus que falem movidos (impulsionados) pelo Espírito Santo (2 Pe 1.21b), mas isso só acontece quando aquele que fala tem a unção de Deus devido a sua vida de oração. 

Os apóstolos não pregavam simplesmente por pregar, nem falavam de Jesus simplesmente por falar, mas eles davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus (At 4.33). A oração era a causa principal desse poder (2 Co 10.4,5). “O reino de Deus consiste, não em palavras, mas em poder” (1 Co 4.20-RA).

A palavra na vida do obreiro

O apóstolo Paulo fez algumas recomendações a Timóteo concernente ao estudo e meditação na palavra de Deus, Dizia ele: “... aplica-te à leitura...” (1 Tm 4.13-RA). Paulo ainda advertia a Timóteo ao dizer-lhe: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15). No original grego, “manejar bem” (2 Tm 3.16,17-RA), tem o sentido de: “dar o corte certo”, tal como o carpinteiro que dá o corte certeiro na madeira. 

Muitos manejam a palavra de Deus, mas poucos a manejam bem. Tais recomendações de Paulo a Timóteo objetivava levá-lo a fazer a obra de um evangelista, cumprindo bem o seu ministério (2 Tm 4.5). Timóteo só teria a ganhar fazendo assim, na verdade, todos saem ganhando (1 Tm 4.15,16b-RC). 

O obreiro deve ser um homem de muitos livros, porém, um homem de um livro só, a Bíblia, e tudo o mais que ele ler, deve ter por objetivo ajudá-lo a compreender bem e aplicá-la melhor. Precisamos ler outros tipos de livros e publicações, mas, a Bíblia, é o nosso principal livro de leitura e meditação. O conselho do grande apóstolo é:“Examinai tudo. Retende o bem” (1 Ts 5.21-RC). 

A razão do estudo não é para a demonstração de conhecimento, mas para saber como convém responder a cada um que nos pedir a razão da esperança que há em nós (Cl 4.6; 1 Pe 3.15).

Não sejamos como aqueles que o escritor aos hebreus chamou a atenção devido ao pouco conhecimento que tinham, pois ao invés de já serem mestres em razão do tempo, eles ainda necessitavam dos primeiros rudimentos da fé, ainda não estavam experimentados na palavra (Hb 5.12,13). 

Para sermos aplicados à leitura da palavra de Deus, precisamos ter prazer na lei do Senhor e meditar nela de dia e de noite (Sl 1.2). A exemplo dos bereanos, os quais examinavam diariamente as Escrituras (At 17.11).

Precisamos desenvolver um crescimento equilibrado, ou seja, crescimento na graça (crescimento espiritual) e no conhecimento (crescimento intelectual) (1 Pe 3.18). O próprio Senhor Jesus passou por um processo normal de crescimento em sua vida conforme podemos ler em Lucas 2.52: “E crescia Jesus em sabedoria(crescimento intelectual) e em estatura (crescimento físico) e em graça para com Deus (crescimento espiritual) e os homens (crescimento social)”. 

O escritor norte americano Howard Hendricks em seu livro “ensinando para transformar vidas” (Ed. Vida), diz: “Quem para de crescer hoje, para de ensinar amanhã”.